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Projecto multidisciplinar que tem como objectivo catalisar discursos artísticos, culturais e científicos, independentemente do seu suporte de materialização
 
 
         
         
 

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  Contamianar é a palavra de ordem

Contaminar é a palavra de ordem para o Escritaria em Penafiel 2011, dedicado ao escritor moçambicano Mia Couto. Esta edição, que decorre de 15 a 30 de Outubro, marca também a abertura à lusofonia, que se pretende venha ser uma constante de agora em diante. Exposições, colóquios, música, teatro, cinema, artes plásticas, design, dança, gastronomia e a tradicional contaminação do espaço público do centro histórico de Penafiel serão as ferramentas que a organização – do Município, da Escritaria e da Edições Cão Menor – terá à sua disposição para contaminar com literatura em português os habitantes da cidade e os visitantes que se esperam.

A multidisciplinaridade, que caracteriza desde o início o Escritaria em Penafiel, juntará em torno de Mia Couto nomes como o do escritor angolano José Eduardo Agualusa, o cantor João Afonso, o encenador José Rui Martins, o do artista plástico, de origem moçambicana radicado em Portugal, Roberto Chichorro.

João Afonso trará ao Escritaria a música e certamente não deixará de brindar o público com o ambiente moçambicano do seu álbum Zanzibar, particularmente com a canção Mar me Quer, construída directamente a partir do Universo de Mia Couto, particularmente do conto homónimo que foi objecto de publicação autónoma no âmbito da Expo 98.

A Associação Portugal-Moçambique junta-se ao Escritaria em Penafiel e com a responsabilidade de trazer para o evento o ambiente de Moçambique. De entre as várias acções e actividades destacam-se a gastronomia e as danças tradicionais.

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avenida em obras [item da contaminação 2009]

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

floor sign

 

A literatura no centro da cidade

O Escritaria em Penafiel tem duas vertentes, uma de cariz passivo que assume a forma de homenagem, outra de cariz activo que corresponde à oportunidade de produzir criativamente um corpo de objectos e intervenções a partir da obra e da figura do escritor|tema de cada edição.

O que faz do Escritaria em Penafiel um acontecimento especial e o distingue claramente do que acontece em outros lugares é a contaminação da cidade pela literatura durante as duas semanas que dura o evento e pela marca perene deixada na cidade por algumas das intervenções, envolvendo não apenas os participantes eruditos mas também os habitantes e todos os visitantes.

A contaminação continua a ser a fonte mais vigorosa da identidade do Escritaria em Penafiel e aquilo que o distingue inequivocamente dos restantes eventos literários. Como habitualmente, com concepção da dupla António Castanheira e Rui Martins, a contaminação deste ano mantém vivos e inalterados alguns itens clássicos, como as montras de livros, as caixas de literatura, a avenida em obras, os estandartes ou as infoboxes, e reinventa outros, como os post-its gigantes, que surgem desdobrados por inúmeras escalas distintas mas que têm como novidade o facto de serem verdadeiramente manuscritos pelos respectivos escritores.

Obedecendo à contenção própria deste tempo, o escritamia recupera estruturas criadas para o Escritaria de José Saramago, e já utilizadas no ano passado, para criar um percurso didáctico ao longo da avenida principal de Penafiel, oferecendo aos visitantes uma perspectiva panorâmica da figura de Mia Couto, recorrendo a uma forte componente iconográfica propositadamente desenvolvida para este contexto por Rui Martins. Facetas importantes mas menos conhecidas do escritor ficarão assim expostas à curiosidade de habitantes e outros visitantes.

A própria ideia de contaminação terá um destaque especial sendo evidente, ou até tema central, em itens como o floor signs, que acompanha as caixas de literatura na disseminação de contos de Mia Couto pelo chão da cidade e contribui em grande medida para o ambiente festivo que caracteriza toda a duração do Escritaria em Penafiel.

Novidade é também o palavrário, um dispositivo colocado no espaço público que irá permitir aos visitantes exercer a criatividade lexical à maneira de Mia Couto. Trata-se de um dispositivo constituído por um conjunto de caracteres móveis e por um espaço de composição, onde o transeuntes podem encontrar exemplos de invenções lexicais retiradas da obra do escritor e onde serão convidados a construir novas palavras.

Uma omnipresença simbólica de Mia Couto no centro da cidade durante todo o evento será garantida pelo item escritor na cidade, um conjunto de silhuetas que, a partir do interior de outras tantas janelas, permanecerão em literária vigília.

As montras de livros são o item que mais envolvimento reclama da população, convocando os comerciantes para a escritaria e para uma participação activa e também ela criativa. A edição deste ano aposta na mobilização dos alunos das escolas do concelho, a quem foi atribuída a responsabilidade total na concepção e materialização deste item, trabalho exemplarmente produzido pelos alunos de uma turma de artes do 12º ano da Escola Secundária de Penafiel.

Caixas de literatura, escritaria no caminho, post-its gigantes manuscritos por Inês Pedrosa, Fernando Pinto do Amaral, Miguel Real ou José Eduardo Agualusa, os jardins de agustina, um chá com agustina, perfil de letra, avenida em obras, são alguns itens que têm como responsabilidade levar a literatura de Mia Couto directamente às pessoas.

 
         
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